segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ser dependente ou independente o que você prefere?

              Sem dúvida, a sua resposta será ser independente, ou seja, poder fazer e acontecer sem precisar dar satisfações acerca do que está fazendo, fará ou fez. Simples não é?
Porém a verdade é outra: Ninguém é independente, todos dependem de alguém, alguns em menor grau, concordo, mas, esta pessoa precisa de alguém para fazer algo, constatando mais uma vez, a incrível necessidade de ser dependente. 
De fato existem diferentes graus de dependência, mas todos ligados ao significado da palavra, que quer dizer ”Situação daquele ou daquilo que tem sua existência ou correto funcionamento condicionado a outro elemento ou fator”, ou melhor ainda, “Estado de dependente, sujeição, subordinação, Acessório; parte de,”. As pessoas para existirem, precisam ser dependentes entre elas, portanto, ninguém é independente, como o significado da palavra, diz “Ausência de dependência; liberdade”. Enfim, se fossemos livres, não existiríamos como nos vemos hoje, até para o mais básico, dependeríamos de algo, como por exemplo, da terra para obter alimentos que, por sua vez depende de um bom clima para que algo venha a nascer e posteriormente consumido.
Mas para que tergiversar tanto sobre o significado absoluto de duas palavras, que são opostas, antônimas entre si? Sinceramente? Não sei! 
Utimamente tenho percebido que o significado destas duas palavras está sobrepondo-se uma com a outra e criando uma ou diferentes realidades: nossa liberdade é dependente da independência ou somos livres e independentes, o que nos torna cada vez mais dependentes. 
Neste ponto de análise mental, fui obrigado a recordar a leitura de um livro na faculdade, neste caso o romance de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo. Tracemos um paralelo entre a história tratada no livro e o que vivemos atualmente. Vivemos num mundo onde a individualidade é o ponto central, não devemos nos preocupar com os outros, apenas consigo mesmo, as relações são superficiais e nada duradouras, prezando única e exclusivamente ao imediatismo, utilizando-se de subterfúgios para suprir algumas necessidades e para escapar de outras formas diferentes de pensar e agir, por meio de drogas lícitas ou não, sempre com um único objetivo: ser livre. 
A passagem acima parece com a sociedade que vivemos? Ela é apenas um resumo reduzido e mal redigido do romance de 1932. Parece-se em muito com o que vivemos atualmente, arriscaria a dizer que, a sociedade descrita no livro da década de 30, é uma forma suja e grossa de descobrimento do futuro, que é o nosso presente.
Assim como no livro, temos a falsa sensação de sermos livres e de que podemos fazer tudo que queremos, sempre em busca da nossa própria felicidade. Não percebemos a enorme dependência que temos do que está a nossa volta, principalmente das pessoas.
Irrita-me o fato de ouvir algumas pessoas baterem no peito e gritar para o mundo: “Sou livre e faço o que quiser!”. Fica sem trabalhar, pra ver se você consegue fazer o que quiser. Esta pessoa não é livre por completo, depende de outro para pagá-lo para, só assim ele poder continuar achando que é livre e fazer qualquer cosia. Há momentos, como o descrito anteriormente que bestificam as pessoas, e isso eu percebo imediatamente, basta ver algumas pessoas que trabalham comigo e que existem aos milhares no restante do mundo, mas não entrarei neste detalhe, para eu não me irritar mais e, consequentemente, irritar outras pessoas que por acaso venham a ler este texto. Vê só! Onde está a liberdade? 
O ponto principal é a nossa incrível capacidade de apegar-se e ficar mais dependente ainda das pessoas que estão ao nosso redor, num mundo em que vivemos atualmente, que preza pela individualidade, pouco apego e apreço pelo outro somos apenas cópias da maioria.E mesmo assim, existe a dependência e, neste caso, as pessoas utilizam-se dela como ferramenta para satisfazer os seus ímpetos imediatistas não se importando com o que acontece ou deixa de acontecer com os outros. Mesmo com a mentalidade de liberdade fake, este individuo não percebe que precisa de outro e sempre vai precisar para manter a existência de relações sem estabilidade.
Ultimamente me parece que uma pessoa não pode escolher o fato de querer ficar sozinha um pouco, de se distanciar, ter um momento consigo mesmo e reavaliar se tudo que está fazendo é certo ou errado. Muitas vezes há um bombardeio de mensagens e idéias de como agir, pensar, conversar, escrever, olhar, relacionar-se, que nos deixa atordoados e sem muito pensar, acabamos fazendo as coisas sempre no imediatismo puro e torpe, tornando-o mais uma cópia do que há no mundo.
Ainda referente ao romance do Aldous Huxley, lembrei-me da passagem na qual é descrito o personagem, tido como selvagem, se apaixonar por uma moça do mundo “civilizado”. Ela tinha por principio condicionado, a não existência de relação estável com o selvagem, o desejo dela era puramente sexual e imediatista, enquanto o selvagem tinha o mesmo desejo, porém acompanhado de algo mais verdadeiro, a fidelidade e comprometimento, características tão raras hoje em dia.
A dependência que temos de viver, ser vistos, acalentados, suportados, apalpados, abraçados, beijados entre outros, serve para manter intacta a premissa de que, se podemos fazer tudo isso, somos livres e não dependemos de ninguém para ter isso realizado. Esta é a palavra: realizar! Esta palavra é que nos dá a impressão de liberdade, quando realizamos os nossos desejos, nos tornamos independentes e não percebemos que na verdade dependemos cada vez mais dos outros, e por vezes pisamos naquilo que o seu semelhante pensa. Podíamos realizar as nossas vontades e desejos sem precisar subjugar os outros certo? Errado! Lembra-se do inicio deste post? Todos nós dependemos uns dos outros e do que está ao nosso redor, só não percebemos como vemos e utilizamos estes dependentes.
Prefiro ser um selvagem!

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