Atualmente tenho visto em todos os lugares uma imensidão de novos aparelhos de telefonia móvel, que há muito tempo deixaram de fornecer a premissa básica, a de falar e ligar. Hoje em dia temos aparelhos que além de receber e fazer ligações possui câmeras de dezenas de megapixels, tocadores de MP3, reprodutores de vídeos, GPS, acesso Wi-Fi, Bluetooth, recepção e envio de e-mails, filmadoras, e diversos itens que visam facilitar a vida do usuário de maneira que seja agregado maior valor para o cliente. Existem inclusive, aparelhos que conseguem fazer um mapeamento da pulsação sanguínea enquanto se pratica esportes e instituições financeiras que estão desenvolvendo softwares para melhorar a segurança, extinguindo dessa forma os cartões de senha e os recém implantados tokens.
Hoje em dia, é muito difícil ver alguém que não tenha pelo menos um desses aparelhinhos “mágicos”, cuja necessidade já faz com muita gente volte no meio do caminho para buscá-lo, caso tenha esquecido em casa, haja vista que ninguém mais consegue ficar sem ele, e muitos dizem que sentem-se nus sem o seu aparelho, sou um desses....que volta às vezes no meio do caminho para pegá-lo, pior ainda quando se tem dois aparelhos (um oficial e outro para qualquer outro tipo de ligação....rs). A tecnologia está cada vez mais presente, e em alguns casos nos torna escravos, pois, a partir do momento em que uma necessidade foi criada, fica difícil desvencilhar-se dela e o próximo passo é obter mais apetrechos tecnológicos para ter mais diversões em um equipamento que inicialmente serviria para comunicação simples e objetiva.
Agora temos mais uma nova “moda”, ou melhor, mais uma necessidade satisfeita, que são os “MPtudo” da vida. Aparelhos celular, que na essência deixaram de ser telefones e são equipamentos que proporcionam uma sensação única de entretenimento. De acordo com reportagem da Folha Online reproduzida aqui, revela que a população de baixa renda está na dianteira de uma revolução, a qual os especialistas não estavam esperando par ao momento, a televisão móvel.
Agora no trajeto entre o trabalho-casa e vice-versa, a população de baixa renda recorre aos aparelhos carinhosamente apelidados de “Xing-Ling”, que proporcionam a recepção de televisão, ainda que de má qualidade, mas com o objetivo de diminuir o estresse durante o trânsito caótico de uma grande cidade. Eles são sucesso entre a população baixa renda, justamente em virtude do preço para aquisição, por ser um produto contrabandeado, não há incidência dos impostos sobre o produto, e o beneficio adquirido, neste caso da televisão no celular é que, na maioria dos casos a recepção é bem melhor que a das televisões convencionais de tubo, mas sem dúvida alguma com imagem inferior a de uma imagem digital. O aparelho da Samsung, proporciona o mesmo serviço, mas, neste caso com imagem digital, livre de ruídos, ou fantasmas, comuns nos aparelhos “Xing-Ling”, porém a um preço em média 6 vezes maior, ou seja, com o valor que será pago pelo modelo da Samsung, a pessoa pode comprar 6 modelos “Xing-Ling”, fala se isso não é fantástico (não estou fazendo merchan do “Show da Vida”). Não vou nem mencionar que para o aparelho da concorrente do Xing, é preciso que o cliente faça a assinatura de um pacote de dados 3G, o que irá encarecer bastante a conta de telefone no fim do mês. Agora eu pergunto, será que o pedreiro, o vigia, o faxineiro, mensageiro (antigo Office boy e mais antigo ainda, Contínuo....tô ficando velho, já passei pelos três nomes...), a prostituta, o michê, o traveco, tem dinheiro para fazer um pacote desses? Será que não é melhor para eles comprarem um aparelho e só colocar o chip e ligar televisão para assistir? Acho que temos um problema grande....mas aí vamos entrar em um assunto pesado como carga tributária, níveis de produção, faixas de lucro, acionistas, qualidade de vida do trabalhador, o possível custo de manutenção do helicóptero do dono da empresa que não pega trânsito etc....Vamos por um lado menos pesado,ok?
Por que, ao invés da população comprar um aparelho, cuja recepção é sofrível, qualidade questionável e durabilidade incerta, não vai ler alguma coisa? Por que não investe um pouco em algo que lhe traga coisas novas? Já sei, não sabe por onde começar, certo? E por que não sabe? Simples, comodismo. Todos estão acostumados a receber as noticias de maneira rápida e direta, e mais uma vez, deixa explicita a nossa falta de vontade de ir atrás de algo melhor. Até o nosso presidente MULA, disse isso a um tempo atrás acerca dos altos juros cobrados pelos bancos em um discurso improvisado reproduzido aqui (como se todos os discursos dele não passam esta impressão).
De fato, há um nicho interessante a ser aproveitado, mas de acordo com as reportagens, somente por meio de renuncia fiscal é que se pode obter algum ganho. Em hipótese alguma estou dizendo que não haja a cobrança de impostos, pelo contrário, a cobrança deve existir, mas de maneira mais igualitária e justa. Ainda não possuo muita bagagem para discorrer sobre este assunto, mas sempre é de bom grado estarmos atentos e analisar de todos os ângulos possíveis. Não adianta ficar dentro do ônibus com um aparelhinho tecnologicamente avançado esperando por meio dele a resposta para todas as suas dúvidas. Para os mais nervosos, não estou querendo por meio destes textos criar uma mentalidade de que tudo é banal e descartável, pelo contrário, as pessoas tem o direito de se divertir e deixar algumas coisas sérias de lado, mas não sempre, fingir que nada acontece já é querer ser consumido pelos leões famintos por pessoas estúpidas e sem perspectivas.
Por fim, até que os aparelhos “Xing-Ling” são funcionais, de qualidade duvidosa, sim claro, mas para as pessoas que se utilizam dele, muitas vezes é a única diversão que cada um possui, pois, dependendo da região onde cada um vive, as opções de diversão são limitadas e a violência obriga que cada qual fique no seu espaço restrito.
E por que o “futulo” chegou?
Chegou, sim, e no dialeto acima, pois cada vez mais estes produtos orientais, estarão presentes no dia a dia de cada um, tornando pessoas mais suscetíveis a dominação, por um lado, e por outro, do lado das pessoas que produzem, a miséria aumenta e deixa cada vez mais longe de perspectivas melhores. Enfim, a aldeia global só aumenta o abismo existente entre a classe a minoria próspera e a multidão inquieta, sempre esperando por um salvador que virá tirá-los dessa vida fétida de degradante. Enquanto isso não acontece, cada um vai assistindo os seus jogos, capítulos de novelas com temas hindus (argh!!!!), e bobagens afins...
Putz!!!
Esqueci que agora vai começar o meu desenho japonês preferido, que passa no sinal UHF, vou pegar o telefone da colega e assistir...só não posso acabar com a bateria dela, senão, como ela irá para casa. De repente por minha culpa ela ficará dormindo no trabalho, pois daqui um tempo, as pessoas não conseguirão fazer mais nada sem uma televisão...
Esse “FUTULO” ás vezes me dá medo, né?
2 comentários:
Rodrigo,
Duas coisas:
1) Veja a matéria da Folha de ontem, sobre a adoção de celulares com TV analógica na baixa renda: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0507200912.htm
2) Configure o e-mail para apagar a assinatura do banco, senão os posts terão seus dados do banco........(perigoso, hein!?)
Munhoz.
Utilizei justamente esta matéria para publicar este post. Viajei na matéria e comecei a imaginar um bando de debilóides com as suas respectivas têves dentro dos onibus lotados da cidade de São Paulo.
Com relação a configurção do e-mail, tenho uma segunda conta que não aparece a assinatura, vou utilizá-la...
"Cabaço digital" é uma droga...rs
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