segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ser dependente ou independente o que você prefere?

              Sem dúvida, a sua resposta será ser independente, ou seja, poder fazer e acontecer sem precisar dar satisfações acerca do que está fazendo, fará ou fez. Simples não é?
Porém a verdade é outra: Ninguém é independente, todos dependem de alguém, alguns em menor grau, concordo, mas, esta pessoa precisa de alguém para fazer algo, constatando mais uma vez, a incrível necessidade de ser dependente. 
De fato existem diferentes graus de dependência, mas todos ligados ao significado da palavra, que quer dizer ”Situação daquele ou daquilo que tem sua existência ou correto funcionamento condicionado a outro elemento ou fator”, ou melhor ainda, “Estado de dependente, sujeição, subordinação, Acessório; parte de,”. As pessoas para existirem, precisam ser dependentes entre elas, portanto, ninguém é independente, como o significado da palavra, diz “Ausência de dependência; liberdade”. Enfim, se fossemos livres, não existiríamos como nos vemos hoje, até para o mais básico, dependeríamos de algo, como por exemplo, da terra para obter alimentos que, por sua vez depende de um bom clima para que algo venha a nascer e posteriormente consumido.
Mas para que tergiversar tanto sobre o significado absoluto de duas palavras, que são opostas, antônimas entre si? Sinceramente? Não sei! 
Utimamente tenho percebido que o significado destas duas palavras está sobrepondo-se uma com a outra e criando uma ou diferentes realidades: nossa liberdade é dependente da independência ou somos livres e independentes, o que nos torna cada vez mais dependentes. 
Neste ponto de análise mental, fui obrigado a recordar a leitura de um livro na faculdade, neste caso o romance de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo. Tracemos um paralelo entre a história tratada no livro e o que vivemos atualmente. Vivemos num mundo onde a individualidade é o ponto central, não devemos nos preocupar com os outros, apenas consigo mesmo, as relações são superficiais e nada duradouras, prezando única e exclusivamente ao imediatismo, utilizando-se de subterfúgios para suprir algumas necessidades e para escapar de outras formas diferentes de pensar e agir, por meio de drogas lícitas ou não, sempre com um único objetivo: ser livre. 
A passagem acima parece com a sociedade que vivemos? Ela é apenas um resumo reduzido e mal redigido do romance de 1932. Parece-se em muito com o que vivemos atualmente, arriscaria a dizer que, a sociedade descrita no livro da década de 30, é uma forma suja e grossa de descobrimento do futuro, que é o nosso presente.
Assim como no livro, temos a falsa sensação de sermos livres e de que podemos fazer tudo que queremos, sempre em busca da nossa própria felicidade. Não percebemos a enorme dependência que temos do que está a nossa volta, principalmente das pessoas.
Irrita-me o fato de ouvir algumas pessoas baterem no peito e gritar para o mundo: “Sou livre e faço o que quiser!”. Fica sem trabalhar, pra ver se você consegue fazer o que quiser. Esta pessoa não é livre por completo, depende de outro para pagá-lo para, só assim ele poder continuar achando que é livre e fazer qualquer cosia. Há momentos, como o descrito anteriormente que bestificam as pessoas, e isso eu percebo imediatamente, basta ver algumas pessoas que trabalham comigo e que existem aos milhares no restante do mundo, mas não entrarei neste detalhe, para eu não me irritar mais e, consequentemente, irritar outras pessoas que por acaso venham a ler este texto. Vê só! Onde está a liberdade? 
O ponto principal é a nossa incrível capacidade de apegar-se e ficar mais dependente ainda das pessoas que estão ao nosso redor, num mundo em que vivemos atualmente, que preza pela individualidade, pouco apego e apreço pelo outro somos apenas cópias da maioria.E mesmo assim, existe a dependência e, neste caso, as pessoas utilizam-se dela como ferramenta para satisfazer os seus ímpetos imediatistas não se importando com o que acontece ou deixa de acontecer com os outros. Mesmo com a mentalidade de liberdade fake, este individuo não percebe que precisa de outro e sempre vai precisar para manter a existência de relações sem estabilidade.
Ultimamente me parece que uma pessoa não pode escolher o fato de querer ficar sozinha um pouco, de se distanciar, ter um momento consigo mesmo e reavaliar se tudo que está fazendo é certo ou errado. Muitas vezes há um bombardeio de mensagens e idéias de como agir, pensar, conversar, escrever, olhar, relacionar-se, que nos deixa atordoados e sem muito pensar, acabamos fazendo as coisas sempre no imediatismo puro e torpe, tornando-o mais uma cópia do que há no mundo.
Ainda referente ao romance do Aldous Huxley, lembrei-me da passagem na qual é descrito o personagem, tido como selvagem, se apaixonar por uma moça do mundo “civilizado”. Ela tinha por principio condicionado, a não existência de relação estável com o selvagem, o desejo dela era puramente sexual e imediatista, enquanto o selvagem tinha o mesmo desejo, porém acompanhado de algo mais verdadeiro, a fidelidade e comprometimento, características tão raras hoje em dia.
A dependência que temos de viver, ser vistos, acalentados, suportados, apalpados, abraçados, beijados entre outros, serve para manter intacta a premissa de que, se podemos fazer tudo isso, somos livres e não dependemos de ninguém para ter isso realizado. Esta é a palavra: realizar! Esta palavra é que nos dá a impressão de liberdade, quando realizamos os nossos desejos, nos tornamos independentes e não percebemos que na verdade dependemos cada vez mais dos outros, e por vezes pisamos naquilo que o seu semelhante pensa. Podíamos realizar as nossas vontades e desejos sem precisar subjugar os outros certo? Errado! Lembra-se do inicio deste post? Todos nós dependemos uns dos outros e do que está ao nosso redor, só não percebemos como vemos e utilizamos estes dependentes.
Prefiro ser um selvagem!

Será que eu volto a escrever?


Hi, como vai?
Depois de tanto tempo sem escrever, acredito que poderei fazer isso com maior frequência e voltar a despejar aqui todos os devaneios, insights (neste caso, raros) e minha maneira de pensar alguns assuntos.
Espero que as pessoas que voltem a ler o que esta escrito aqui, apenas pensem na opinião alheia. Minha ideia não é mudar o seu pensamento, pelo contrário, se eu conseguir ativar a sua vontade de pensar e analisar o que acontece a sua volta, ficarei feliz!
Este também será o meu espaço de treinar minha escrita, que está deveras HORRÍVEL, portanto aceito críticas construtivas e esclarecedoras.
Abraços,

terça-feira, 4 de maio de 2010

Quem está com a razão?


Post escrito em 28/04/2010 e transcrito em 03/05/2010.

Situações. São diversas as que passamos. Temos de todos os tipos, as boas, ruins, mais ou menos, até mesmo a junção de uma com outra ou as três juntas. Mas o que me faz pensar em um post com esse assunto? Fácil! Passamos por várias destas situações ao longo do dia. Expresso aqui um dos dias mais cheios de situações pelo qual passei até hoje.
Nada melhor que ter uma noite de sono agitada, na qual você passa, ou melhor, relembra diversas situações que já passamos, sejam elas boas, mais ou menos ou ruins. Enfim, uma noite na qual você lembra de detalhes banais, como a forma que você colocava o seu material escolar em cima da mesa antes da aula começar, no ensino fundamental. Como alguém pode ser tão bobo ao ponto de abrir a mochila, pegar o caderno, o estojo e arrumar tudo de uma maneira como se fosse uma pintura feita por um artista qualquer e pior ainda, como se você não fosse mexer naquilo tudo!
Ao acordar, situações novas do tipo "separe os cachorros", "feche a porta do banheiro", "deixe a tartaruga no seu quarto", "tranque a porta e coloque a chave debaixo do capacho", entre outras diversas que você faz para "agradar alguém"!
Ah, o trabalho! Como todos sabem, trabalho num banco (até o momento em que escrevo este post no caderno...) e assim como em outros lugares, novamente, temos situações diversas que pedem nossa atenção. Algumas eu esperava já ter assimilado, mas neste dia algo foi diferente. Pulando os detalhes, cito uma situação peculiar, ou melhor, pergunto qual a melhor forma de lidar com uma situação adversa? Abaixar a cabeça mesmo sabendo que seu ponto de vista é plausível de conversa ou defendê-lo até o fim? Fico com a segunda opção, pautando-me sempre pelo diálogo.
Lidar com pessoas, normalmente é complicado, pior ainda quando há um fato determinante que as pessoas não sabem usar: o poder. Este ponto, ou fato, adquirido ou recebido, deve ser bem utilizado, haja vista que, todo poder parte do principio de que ele se encontra com algo mais forte, que são as pessoas. Normalmente, quando sei do que estou falando, procuro discutir e colocar a minha maneira de pensar sobre determinada situação e sempre espero que haja uma conversa produtiva e construtiva de modo que se crie novas formas de pensar e agir, uma vez que ninguém é dono integral da verdade e todos estamos sempre aprendendo, facilitando assim, o bom convívio entre as pessoas.
Mas o fato ao qual quero chegar é que, em determinada situação que uma pessoa tenha um "poder", como ela se acha no direito de subjugar alguém que sabe o que esta dizendo e tem um ponto de vista correto e condizente às praticas adotadas até o momento? Tenho (ou tinha...) um gerente assim. Qualquer motivo era pauta para discussão, porém não construtiva, pelo contrário, destrutiva. A situação peculiar a todos que trabalham e tem opiniões, mas, muitas vezes são cortadas ou limadas por alguém que recebeu um poder. Só esta questão cria uma situação desagradável.
Não existe verdade universal e muito menos algo igual para todos que faça ou se transforme numa receita de bolo. O que existe de igual para todos é a educação e integridade entre os níveis hierárquicos, seja dentro de uma empresa, na vida familiar ou pessoal. O fato de usar artifícios para fazer valer o seu poder, faz com que "este ser" tenha menos respeito como pessoa, proveniente desta falta de bom trato com os semelhantes.
Por esse motivo, abandonei a apreciação de uma bebida que me fazia bem algumas vezes, o Whisky "Jack Daniels". A abominação serve tanto para a bebida quanto para algumas pessoas (desculpe Jaqueline não te chamar mais pelo apelido diminutivo de seu nome...).
Parece que feliz é a pessoa que abaixa a cabeça mesmo que esteja com razão, mas eu não consigo ser assim neste momento. Por isso não sentirei ressaca posteriormente, haja vista que não bebo mais este"Jack Daniels", pelo contrário, deixo na prateleira para que alguém fique com o desprazer, uma vez que não desejo nem para o meu pior inimigo. As situações nos faz mudar o nossos gostos e atitudes, nos tornam pessoas melhores enquanto outras definham, apodrecem e morrem.

Ser solitário ou procurar a solidão? Qual o caminho?


Post escrito num caderno no dia 23/04/2010 e transcrito no dia 03/05/2010.

A noite é parceira de todos os solitários. Começar um post com esta afirmação pode me fazer ser ou pensar que sou uma pessoa solitária, pelo contrário! Sou uma pessoa muito bem servida de diferentes "entidades" que me complementam. Estas pessoas podem ser amigos, inimigos, pessoas desagradáveis, que de uma maneira ou de outra me complementam e me fazem ser uma pessoa melhor ou pior, conforme o ponto de vista de cada um.
Por exemplo, hoje eu estava com algumas pessoas super legais, mas elas não me agregavam nada de valos, a não se o fato de que eu precisava fazer lobby para considerar aquele momento prazeroso.
As conversas fúteis, as colocações desnecessárias e as "empurradas forçadas" a uma situação "sexual" me transformavam em um objeto feito apenas para satisfazer o prazer de alguém, ponto este que não vem ao caso, pelo contrário, eles apenas servem como enredo de algo improvável e impreciso. Como todos sabem sou um solteiro compulsivo e para isso preciso manter-me assim (por minha vontade ou contra), pois detesto qualquer situação que force a barra, mas até aí tudo bem, procuro me desvencilhar disto!!
O que me deixa intrigado ou irritado com essa situação é o fato que eu era o único solteiro, e nem por isso estava desesperado para consumar algo com alguém, pelo contrário, eu queria beber a minha cerveja e dar risada, mesmo que a minha principal companhia mais tarde fosse o meu travesseiro. Os outros, casados, faziam questão de demonstrar que tinham sede sexual e que iriam consumar o que imaginavam com suas esposas. Sinceramente isso me parece patético, e não digo isso pelas pessoas de minha idade próximas a mim, pelo contrário, isso se dá com pessoas que tem a idade de ser meus pais, o que me entristece ainda mais!
Este blog serve principalmente para expressar a minha maneira de pensar sobre algumas situações momentâneas pelas quais passo, o que, não por motivos internos, mas externos, me fazem pensar e procurar entender o porque de algumas situações do dia a dia. Algumas situações que me fazem pensar, outras que me tornam inquisitivo e até negativo ou positivo, mas cada uma delas, no que condiz ao conteúdo dependem do estado de espírito pelo qual estou passando.
Por exemplo, esta manhã acordei pensando em uma maneira de fazer mal a uma pessoa, mas necessária, a um semi-imediato (aqueles que não servem para nada e foram colocadas na sua frente apenas para atrapalhar), alguém que "não fede e nem cheira". Enfim, tudo estava propicio para que o fulano se ferrasse sozinho, e o que aconteceu? Nada! Não aconteceu nada!
E como fiquei? Não senti nada! Só sei que fiz o que tinha que fazer e segui adiante, mais nada! E o que eu aprendi com tudo isso? Alguma coisa, como sempre aprendemos!
Assim como meus conhecidos saíram pensando em conseguir algo, por mais que tivessem alguém esperando por eles em casa, eles não conseguiram nada, porque de fato, não precisavam de nada daquilo que buscavam, eles tem algo melhor e duradouro esperando por eles em casa.
No caso, o desejo de conseguir algo (bom ou ruim, depende do ponto de vista), torna-se mais forte que o principal objetivo, que é ser melhor naquilo que se faz e às vezes isso atrapalha outros planos que temos.
Enfim, este post serviu para me fazer pensar no que realmente eu quero, sem pensar em auto ajuda (que na minha opinião só enfraquece a pessoa), mas em como tenho coisas melhores para pensar, neste caso, minha família, meus amigos, meu TCC ( que está HORRÍVEL...), do que perder meu tempo com coisas tão pequenas quanto o mal de alguém!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Eu voltei!!!



Para aqueles que me acompanham no Twitter, no Facebook, Orkut entre outros, todos sabiam que eu abandonei todas estas ferramentas por algum tempo, justamente para dar atenção integral à alguns pontos que precisavam de mais atenção. Muito bem, para algumas, dei mais atenção, para outras não dei o quanto devia, mas nada como um dia após o outro para perceber os erros cometidos.

Os textos que serão publicados a seguir, fazem parte de anotações diversas em caderno durante este tempo distante, portanto não se assustem, elas apenas tem relevância com o momento que eu estava (ou estou) passando e não são base principal para que me conheçam a fundo, afinal, só me conhecem aqueles que tem ou tiveram contato comigo nos últimos meses.

A quem interessar, boa leitura!!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sozinho é bom...Quando se quer estar!


Você resolve que deseja ter um momento sozinho para reavaliar algumas coisas, colocar outras no lugar, traçar novos objetivos e metas, enfim, fazer uma retroalimentação, analisar os inputs, os processos, os outputs e fazer feedback, simples certo? Pois bem...

Gostaria de saber se existe algum problema em uma pessoa querer ficar sozinha, sem a presença de conhecidos, parentes, amigos, colegas todas as pessoas amadas? Já faz um tempo que me questiono sobre isso, mas neste inicio de férias do trabalho (a faculdade permanece forte, pelo menos neste ultimo ano...) ficou mais recorrente essa pergunta...

Quando resolvi isso, acessei o famoso oráculo, o Google, e fui atrás de um lugar que eu não conhecesse nada e nem ninguém e onde eu pudesse realmente ficar incomunicável.

Encontrei uma pousada cujo site muito me chamou a atenção não só por causa das acomodações, o serviço, o preço, mas por um detalhe muito peculiar: a internet “Hi-Fi”. Nessa hora eu me imaginei navegando na internet sem fio cujo nome é Wi-Fi, e o atendente me servindo de um copo de vodca bem gelado com suco de laranja, este sim o Hi-Fi. Mas como estou proibido de saborear esta bebida russa incolor e quase sem sabor, iria ter que rejeitá-la se eu quisesse voltar com vida e claro e com o que me resta de fígado. Portanto este foi o local escolhido, principalmente para comunicar o erro aos administradores do local. (não, definitivamente não poderia ser por e-mail...)

Peguei o telefone e liguei para fazer o orçamento, conversei com uma pessoa muito simpática e atenciosa que respondeu a todas as minhas perguntas, mas ficou surpresa quando, após dizer o preço eu perguntei se para mim seria a metade. Ela me disse que o preço já estava abaixo por não ser mais época de carnaval e que o preço para DUAS pessoas já estava com um desconto de 20%. Como eu iria sozinho, nada mais justo que eu pagasse a metade. A moça do outro lado da linha perguntou, como eu iria para algum lugar ficar 4 dias sozinho? Minha surpresa começou aí. Expliquei que eu precisa colocar algumas coisa em ordem, como se eu devesse explicar alguma coisa para ela, mas não fui em momento algum grosseiro. Ela não disse mais nada e me fez pela metade e me deu um desconto a mais, porém não terminou a conversa antes de dizer que eu deveria levar alguém comigo e eu disse prontamente, desta vez não!

Como ainda moro com meus pais, logo teria que informá-los. Meu pai é o de menos, se preocupa, mas me deixa bem livre, o maior problema seria minha mãe. Quando informei que eu estava indo viajar, ela soltou a seguinte exclamação: Nossa! Que bom! Vai você e mais quantas pessoas? (exatamente estas palavras...) A minha resposta para ela soou como uma bomba, tal qual foi a mudança repentina de expressão do rosto dela. Não me segurei e comecei a dar risada. Ela perguntou se eu estava bem, o que estava pretendendo, se eu iria levar alguém e não quisesse dizer quem era tudo bem, mas sozinho? Era algo inacreditável e inconcebível para ela. Como eu, uma pessoa sempre rodeada de muita gente em todos os lugares e a todo momento, que gosto de interagir com todos, me comunicar, brigar, conversar, sair, passear, me divertir e todo o mais, estaria indo para um local sem ninguém conhecido? Nem preciso dizer o que ela disse quando informei que deixaria os dois celulares desligados!

Chegou o dia, e lá estava eu de mochila nas costas, dinheiro no bolso, contas para pagar (snif...rs) e bastante animado. Na rodoviária comprei minha passagem, entrei no ônibus e a viagem começou. No caminho com a poltrona ao meu lado vazia, resolvi colocar minhas revistas e minha água (sim, ainda não era meio-dia para eu estar bebendo uma cerveja...rs) e relaxar curtindo o ar condicionado do ônibus, a paisagem e minha leitura. Eis que de repente, aparece uma menina de aproximadamente uns sete anos e me pergunta, porque eu estava ocupando a cadeira ao lado. Olhei para ela dei um pequeno sorriso, sem ser grosseiro e retornei a minha leitura. Quando já havia me esquecido da presença da menina, ela me pergunta novamente se eu estava guardando o lugar para alguém, mas desta vez eu respondi para ela dizendo que não e caso ela quisesse sentar-se ao meu lado, poderia, mas teria que ficar calada. Direto e objetivo, certo? Errado, pois acho que não fui o suficiente e ela perguntou novamente porque eu estava sozinho. Não aguentei e disse que eu estava a trabalho. Enfim, ficamos nisso uns 20 minutos, que para mim eram intermináveis, até a mãe dela tomar a iniciativa de tirá-la do local onde ela não deveria estar, principalmente em um ônibus em movimento.

Chegando ao meu destino final, fui até a recepção informei que eu tinha uma reserva, quando ele me perguntou quantas pessoas chegariam ainda, ao passo que respondi, até que bem humorado, "não há mais ninguém todos já chegaram e estão na sua frente". O atendente logo me olhou e disse de pronto: “Ah! Você é o rapaz que ficará sozinho, Rodrigo, certo? Seu quarto já esta arrumado, por favor, siga-me!” Neste ponto percebi que eu já era conhecido por todos os funcionários, pois todos me chamavam pelo nome. Eu estava me sentindo uma aberração, acho que eles nunca passaram por uma situação dessas, não pode ser!

Após um banho e trocar de roupas, fui almoçar, pois já era tarde e poderia passar o horário e eu teria que ir à outro restaurante para comer. O restaurante estava cheio, escolhi uma mesa e sentei, pedi uma cerveja (viram, já havia passado do meio dia...rs) e o cardápio. Fiz meu pedido e comecei a analisar as outras mesas. Todas cheias, casais, famílias completas, bebendo, comendo e rindo freneticamente. Senti uma sensação boa, porém foi passageira. Quando prestei atenção, as pessoas que estavam em mesas próximas não paravam de me olhar. Parece meio surreal e até paranóico, mas não era. Comecei a sentir-me muito mal, principalmente quando comecei a refletir e analisar toda a situação até aquele momento até quando a cerveja chegou e comecei a bebê-la. Tentei me distrair, mas havia esquecido o meu mp3 e as revistas no quarto. Resolvi ficar imparcial ao que acontecia a minha volta. Antes do almoço chegar, conheci a moça que fez a minha reserva, pois ela fez questão de vir falar comigo e perguntar se estava tudo bem e tudo o mais. Conversei com ela e blá blá blá... muito legal!

Toda esta história anterior é para discorrer sobre querer ficar sozinho por um momento, para poder rever algumas coisas, colocar a cabeça no lugar, pensar e repensar diversas coisas, abstrair determinados momentos e entender o porquê de determinados fatos. Acredito que isso faça muito bem para as pessoas e que elas deveriam praticar mais. Baseio-me em um cd da banda carioca Los Hermanos chamado Bloco do Eu sozinho, que começa com a música intitulada Todo Carnaval Tem Seu Fim principalmente na parte” Toda trilha é andada com fé de quem crê no ditado /De que o dia insiste em nascer”. Não quero ficar com a idéia “de que o dia insiste em nascer”, pelo contrário, tenho que ser grato. Esse momento de reclusão total serve justamente para isso, para lembrar dos bons momentos e aprender algo com os maus. Aprender que tudo é bom, e que uma situação pode ser vista de diversos ângulos, por meio de novas perspectivas para viver cada vez melhor.

Não quero fazer deste post uma receita de auto-ajuda, só quero dizer que todos precisam de um momento para encontrar a si mesmo, suas verdades e seu centro de equilíbrio. Fazia muito tempo que eu precisava disso, inclusive para não me tornar um monstro, sem rumo.

Outro ponto é o enorme potencial comercial que essa atitude pode ter. Pense na situação da pousada que estou. Eles montam o seu portfólio de produtos apenas baseando-se em pessoas que somente consomem seus serviços com a companhia de alguém. As grandes empresas já viram esse potencial e fabricam produtos em menor quantidade e tamanho justamente para atender este segmento, ou seja, estas empresas vislumbram a escolha do consumidor, em querer estar só por um momento ou não. Porque com os serviços não acontece a mesma coisa?
Mas uma coisa digo, antes de ir embora, vou pedir para que eles corrijam o site e que os próximos clientes não pensem a mesma besteira que eu.

domingo, 15 de novembro de 2009

Descanse em paz, repose en paix, rest in peace, Ruhe in Frieden, ינוח בשלום על משכבו


Morte, quem nunca ouviu ou esteve perto dela? Pode ser que cada um de nós tenhamos tido um contato com ela, seja consigo mesmo ou com outros.
Esta palavra, tão pequena e com um significado tão grande, nos faz pensar o quanto somos pequenos e incapazes diante dela. De nada adianta tentar vencê-la, ela sempre será mais forte que cada um de nós. Mas por que? A resposta para essa pergunta é feita todos os dias por centenas de milhares de pessoas, sem conseguir uma resposta plausível. E ela continua sempre por perto, incólume, inacessessível e invencível.
Chega a ser desagradável para os pouco que leem este blog, depois de tanto tempo ver um post com esse assunto. Eu particularmente, não me sinto à vontade com essa certeza que todos nós já nascemos com ela, a certeza de que todos vão morrer.
Parece até estranho, mas fazia um tempo que eu não tinha um contato tão forte com essa aniquiladora natural de vida. Como pode algo pode estar bem e de repente, não estar mais? Como é possível num momento, um ser estar andando e aparentemente feliz e depois trazer um forte baque para as pessoas que estão a sua volta? Ambas são tão antagônicas, tão inimigas. Mas será que é isso mesmo? Não fazemos uma menção errada da morte? E se ela for apenas uma ferramenta da própria vida? Uma ferramenta que a própria vida utiliza por que se cansou de tentar algo a mais com aquele ser. Pensando por esse ângulo, a morte não seria uma vilã, pelo contrário, ela seria tão subjugada e dominada pela vida, como cada um de nós somos. Neste caso a vida, é uma carcereira maldita que se utiliza da morte como forma de castigo, ou até por estar com muitas outras "coisas" para fazer e por isso utiliza da morte para não ficar tão cheia de tarefas. Essa é uma das possibilidades que passam pela minha cabeça.
É incrível como a mente humana, por mais que seja dominada pelo senso comum, tenta buscar uma resposta que dê algum sentido para algo que não existe mais, vide as palavras anteriores...humpf!
Por ser uma pessoa que não possua uma única religião, assim como boa parte das pessoas, pode ser que seja mais difícil lidar com algo que não se conhece, para tanto, recorro a minha imaginação e criatividade para, se possível, amenizar algo que não sei como lidar.
Certa vez, tive uma vontade tremenda de falar sobre esse assunto com um dos meus melhores amigos. De inicio, até que fui ouvido, mas por educação da parte dele. Não percebi que ele estava sendo educado ao me ouvir e sempre que possível havia uma tentativa de levar a conversa para algo mais ameno, como, por exemplo falar sobre a qualidade do lúpulo empregado na fabricação das cervejas nacionais em comparação com as importadas. Meio mundo paralelo, como costumo dizer, não é? Pois é!!!
As pessoas relutam em abordar o assunto "morte", como se fosse algo proibido de falar, assim como nos livros do Harry Potter, não se pode falar o nome Voldemort, ou nos livro do Senhor dos Anéis, cujo nome inpronunciável é o de Sauron.
Para nós, morte é tão terrível que ela nos é transmitida desde de pequenos por meio de contos de fadas abobalhados e que fazem as crianças dormirem o "sono profundo" (alguma semelhança com o nosso personagem principal deste post??).
Aos poucos que me conhecem, sabem a pessoa que sou e de como me apego facilmente àqueles que me rodeiam. Prefiro perder coisas materiais do que pessoas que amo. Pode até parecer que consigo lidar com todos ao mesmo tempo, mas não, pelo contrário, sinto-me como um egoísta, tenho várias pessoas ao meu redor, mas não gosto de pensar em perder nenhuma delas. Perder, também pode ser sinônimo de morte, pois ela não acontece somente no âmbito carnal, mas no sentimental também.
Existe momentos em que você se sente morto por dentro e isto é pior que a morte carnal, pois você está vivo e sentindo aquela morte dentro de você, te consumindo, destruindo, infernizando e acima de tudo, você está vivo para sentir cada gota desse veneno sobre a sua vida.
Portanto, temos aqui mais uma possível definição para a morte, ainda como ferramenta da vida para com cada um de nós. No caso da não morte carnal, a vida trata de usar em si mesmo a ferramenta morte, como o viciado em heroína faz, ou seja, ele sabe que faz mal, mas aquilo lhe traz um torpor e uma sensação de desequilibrio que dá a sensação de algo novo e único. Mais uma vez a vida usa a morte em nós como algo que nos machuca, e que queremos mais e mais, por pior que seja. Mais uma vez a vida quer mostrar que está no comando, e portanto aplica uma pequena dose de sua ferramenta mais poderosa, só para nos mostrar "acalme-se, se eu quiser posso usar mais e você já era...". Mais uma vez a vida se torna a vilã da história.
Então porque temer algo que não conhecemos? Não seria mais fácil se enfrentassemos a morte? Não!!
O ser humano, tem por característica enfrentar aquilo que conhece, e o que não conhece, teme ou não dá atenção para ela, até que apareça, e já não há forças para enfrentá-la. Simples assim ou devaneios de uma pessoa desentendida do assunto? Acredito que seja a segunda opção.
Enfim, poucos sabem porque escrevi sobre isso, e como a maioria sabe, gosto de escrever para fazer a minha terapia pessoal e enfrentar os meus próprios demônios, e quem sabe evoluir um pouco e ficar mais tranquilo comigo mesmo.
Esperamos sempre uma coisa depois que a morte nos chega, descansar em paz!!